Algo entre o crime e o protesto

sábado, 8 de junho de 2013 às 16:17.

por joker

Protesto ocorrido em São Paulo, em 07/06/2013 Muito se tem falado ultimamente sobre as linhas que separam protesto de vandalismo, terrorismo e afins. Discussões apaixonadas invadem nossas timelines, sobre a validade de protestos mais agressivos, fazendo valer nossos direitos e mostrando que, apesar do que pensam nossos governantes, enxergamos o que eles fazem, e não concordamos. Mostramos saber que grande parte não passa de um grupo composto por verdadeiros bandidos de terno, e que não gostamos de ser explorados pelos Ilmos. FDPs.

Mas, saindo do campo das certezas, depois de uma grande polêmica envolvendo os protestos do Movimento Passe Livre em São Paulo, uma série de questões inundou minha cabeça, a ponto de não me conter e escrever este pequeno texto. A partir de onde um movimento que luta por nossos (justos) direitos, deixa de ser um movimento legítimo para se tornar um grupo terrorista, ou uma simples turba de criminosos? Desculpem se a expressão “grupo terrorista” pareceu um exagero de minha parte, mas com o terror causado entre vários conhecidos meus que estavam voltando de seus trabalhos durante o “protesto”, que só queriam voltar pra casa depois de um dia exaustivo dia de trabalho, só me permite definir esse grupo dessa forma. E me recuso a denomina-los novamente como “movimento”.

Logo antes disso, também vimos uma ameaça de greve realizada pelo sindicato dos metroviários, reivindicando um justo aumento para essa classe de trabalhadores. Então eu deveria supor, claro, que em caso de realização de greve, os grandes prejudicados seriam os patrões e alto escalão do governo, responsável por todos os desvios e corrupção que oneram nosso povo, certo? Errado! A classe trabalhadora seria refém novamente de outra classe trabalhadora, prejudicando novamente pessoas que também não ganham bem, e que são igualmente explorados.

Cheguei à conclusão que brasileiro não sabe protestar. Protestos em nossa pátria amada geralmente não passam de atos de “canibalismo social”, onde, trabalhadores prejudicam trabalhadores para obter mais direitos. E no meio destes valentes lutadores, óbvio, criminosos, vagabundos, e vândalos. Ah, e que certos veículos de imprensa não os critiquem, pois é óbvio que eles estão sendo parciais ao relatarem graves crimes cometidos nesse meio tempo. É engraçado como certos “críticos da imprensa parcial” conseguem ser ainda mais parciais, e não suportam ser questionados. Mas voltemos ao tema principal.

Nos pretensos “protestos” realizados pela gangue “Passe Livre”, o patrimônio público foi depredado (não dos patrões, e sim, o meu, o seu, e de tantos outros cidadãos que trabalham duro para manter, com impostos, caixa 2 e tudo o mais), lojas saqueadas, bancas depredadas, assim como estações. Vocês acham que algum político ou patrão vai arcar com os prejuízos? Acho que sabem a resposta.

Lembro de tempos atrás, dos famosos “panelaços” argentinos, e sinto inveja de nossos hermanos. Sim, sou a favor de irmos todos a Brasília com tochas e arados e expulsarmos todos os vagabundos que nos sugam todos os dias. Mas é claro que, por intenções obscuras (tendo, ou não, interesses partidários), nenhum desses manifestos são direcionados exatamente ao governo ou às pessoas que tomam as decisões que nos frustram, e sim ao próprio povo.

Então, toda vez que acontece esse tipo de coisa, imagino a seguinte cena:
O transporte público é paralisado, e quem toma a decisão está assistindo às notícias confortavelmente em sua TV de 500 polegadas e tomando o seu whiskey 90 anos. Espera 2 dias, porque nada pode ser fácil demais para essa ‘ralé’. Numa bela manhã, pega o telefone e diz ‘dá 8% que eles calam a boca’. E a vida deles continua. Enquanto isso, na rua, outros trabalhadores tem seus salários descontados por atrasos, e outros tem que fazer os reparos e limpar a bagunça deixada durante as festividades. E a vida, assim continua, até o próximo protesto, onde, além de sermos roubados pela classe alta de sempre, também somos feitos de reféns pelas classes média e baixa.

Ou eu estaria sendo paranoico demais por questionar os questionadores?

A tarifa de ônibus em São Paulo aumentou de R$3,00 para R$3,20, um acréscimo de 15%.

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